Meu bem, não é que acabou mesmo? Você que sempre ameaçou
o nosso fim, e eu que botei um ponto final em nós. Veja bem, não era minha
intenção, mas que opção eu tinha?
Meu bem, chegamos a um ponto em que você simplesmente não
estava aqui. Nunca. Eu vivia só, e a vida sozinha é sem graça. Vivia uma
semivida com você longe. Veja bem, eu sei que é estúpido depender tanto assim
de alguém, mas o que fazer? E para piorar a minha situação, eu não só
dependia de você como acreditava piamente que o sentimento era recíproco. Que
tolo, não?
Meu bem, logo percebi que precisava de alguém. Alguém que
não você. Alguém que não me deixasse só nos dias ruins. Nem nos bons, na
verdade. Alguém que me ouvisse. Que me abraçasse. Me beijasse. Veja bem, alguém
que me amasse.
Meu bem, e não é que realmente arranjei alguém pra me
confortar? Logo eu, o eterno romântico que não desapega. Veja bem, não pense
mal de mim, não era o que eu pretendia. Fui obrigado por você. Pela vida,
talvez. Sei lá. De novo, não entenda mal, não foi e não é uma traição. Não sou
capaz de sutilezas tamanhas, e, portanto, deixo essas para você.
Meu bem, por favor, entenda. Não é nada disso que me fará
esquecer de nós. De você, muito menos. Da desilusão? Ah, não. Desses fatos vis
não esquecemos jamais. Não se preocupe, as coisas boas também não serão
apagadas. Veja bem, me lembrarei de tudo, e confesso que às vezes gostaria de
selecionar as memórias. Ah, desculpe pelo vai e vem, é a solidão que deixa o
coração nesse leva e traz. Não tema, porém, porque daqui em diante estarei bem
acompanhado.
Amor,
veja bem, arranjei alguém chamado Saudade.
Conto baseado na música "Veja Bem, Meu Bem", da banda Los Hermanos. (: